quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Caldas de Monchique - Monchique - Novembro 2009

Caldas de Monchique - Monchique -01 de Novembro 2009
Por aqui respira-se ar puro e as águas caldas deixam a cútis sedosa. A sombra de arvores frondosas centenárias, após uma noite de muito vento, convida ao relaxamento.
Mas não foi isso que nos trouxe aqui, pois esperava-nos mais um dia pleno de actividades.
Assim saímos das unidades hoteleiras em direcção à Fonte dos Amores, e atravessando a estrada subimos ao topo da escarpa de sienitos por um trilho muito frondoso ladeados, e aqui e ali cobertos, de acácias. Chegados ao alto um miradouro deslumbra-nos com este vale verdejante que nos convida a recolher aqui em dias de Agosto do ALLGARVE.
Por caminho de terra batida, vamos recolhendo medronhos, que resistem à invasão "acáciana".
Uma construção com um impacto visual brutal, ainda por terminar, insinua-nos que a febre do imobiliário está a invadir a serra algarvia.
Atravessamos de novo a estrada e descendo para a linha de águas tépidas reconhecemos aqui e ali sobreiros e alfarrobeiras que outrora deveriam povoar todas estas encostas.
Atravessar a linha de água resulta numa pequena aventura, mas lá continuamos.
Uma laje imensa mostra-nos os afloramentos de xisto em todo o seu esplendor.
Neste estreito vale pontificam os citrinos em pequenas hortas abandonadas.
Algumas casas, uma ponte, um moinho de água encravado junto ao rio, meio descaracterizado, e, ladeando o caminho, um muro de adobe curiosíssimo.
Descemos de novo à linha de água e encontramos outro pequeno moinho ainda intacto, e, ao lado uma figueira, onde supostamente o moleiro descansaria de tanto andar à roda, e onde imaginamos musas oferecendo água fresca e os seus encantos - sítio romântico sem dúvida.
Na pequena horta atravessada por um ténue caudal, que supomos proveniente das profundezas dos sienitos, descobrimos uma planta das ilhas - inhame.  ( Inhame )
Vamos subindo lateralmente ao ribeiro e o calor, apesar de estarmos em Novembro, esgota-nos as últimas forças, não fossem já decorridos quase 8 km.
As encostas alegram-nos a alma com arbustos pintalgados de verdes, amarelos, laranjas e vermelhos. Alguns saboreiam pequenos frutos vermelhos que, sem nos saciar, nos presenteiam com sabores únicos.
Entramos já no complexo termal, onde as ruas empedradas, os candeeiros modernistas, as instalações cuidados, nos parecem querer dizer que isto está para durar - ainda bem.
Depois de um banho reconfortante nestas águas benditas - sim, alguns de nós estiveram na piscina ao ar livre em Novembro, o almoço espera-nos.
Para o almoço em Monchique, ali no Largo dos Chorões, onde os sabores autóctones e autênticos nos esperavam vai um referência muito especial, pois, não é todos os dias que nos presenteiam com os afamados enchidos desta Serra - a morcela, a chouriça, a farinheira, o presunto, o lombo de porco com banha corada, e a culminar o grão com massa e o assado de porco preto. Divino.
Nota: Por vezes fazemos referência exaustiva a algumas iguarias, não pelo pecado da gula, mas sim para que os que nos visitam não se esqueçam de as provar quando andarem por estas terras e para que as mesmas não se percam na unicidade gastronómica das pizzas, hambúrgueres, douradinhos e filetes.
Mas o dia não acaba aqui. Já estamos de partida para um pequeno passeio pedestre que nos vai conduzir até ao alambique.
Em direcção à Quinta da Brejeira, vamos descendo rodeados de medronheiros, já algo alegres, recolhendo frutos laranjas e vermelhos para uns cestinhos que os nossos simpáticos anfitriões nos entregaram.
Chegados à destilaria, somos inundados - literalmente, de aguardente de medronho e pela famosa e única melosa - uma licor de mel e aguardente.
Ainda mais alegres e porque o dia não acaba aqui deslocamo-nos até Marmelete, onde nos espera o tradicional magusto.
A culminar um dia tão intenso só podíamos ser banhados pelas águas do Atlântico, aqui em forma de chuva miudinha mas persistente.
Num mesmo dia a natureza presenteou-nos com nevoeiro, sol, calor intenso, e agora na encosta noroeste desta Serra, chuva. Ou será dádiva destas terras de Monchique?
Os magustos, exactamente magustos, dezenas de magustos, aguardam-nos. Os profissionais e alguns curiosos espalham sobre as castanhas, colocadas de quando em quando no chão, carqueja seca que rapidamente incendeiam, e remexendo, remexendo, lá vão tostando a casca formosa do fruto até ficar cor de carvão. De imediato, ainda com o lume em labareda aparecem os populares, que com maior ou menor habilidade, vão chamando as castanhas para os improvisados sacos de papel.
E depois é fartar vilanagem.
Os postos de cerveja têm muito êxito graças aos garrafões de aguardente de medronho servida em copinhos que alguns chamam de "passarinhos".
Ao fundo, num palco bem arrematado, os grupos de música pimba vão-se sucedendo. A noite cai, a chuva miudinha continua e o calor das almas, ao rubro, leva os corpos a rodopiar ora movidos pelos sons ritmados do palco, ora pelos vapores do álcool que atingem o centro nevrálgico das sensações.Os aromas de carqueja, as névoas das dezenas de fumarolas e algumas imagens fugazes levam-nos a adormecer placidamente no conforto do autocarro de volta ao doce lar.


Caldas de Monchique









segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Via Algarviana - Monchique , Fóia e Marmelete

Via Algarviana - Monchique , Fóia e Marmelete - 31-10-2009
Depois de umas quantas curvas, vindos de São Marcos da Serra, o impacto visual de um vale encaixado entre dois picos - Picota e Fóia, polvilhado de casas brancas entremeadas de verdes de diversas tonalidades, não nos deixa indiferentes.
Se à paisagem acrescentarmos a riqueza que brota das profundezas desta terra moldada pelos sienitos, então estaremos próximos do paraíso.
Mais uma vez aceitámos o desafio das simpáticas gentes da Almargem, para mais um fim-de-semana em terras Algarvias.
Monchique de face lavada e bem bonita recebeu-nos no seu Largo dos Chorões, para aqui iniciarmos mais um sector da Via Algarviana sector 11 Monchique - Marmelete - 14,7 Km. Via_Algarviana
Este caminho que nos conduz por 240 km de Alcoutim ao Cabo de S. Vicente, revela-nos um outro Algarve - serrano, rude - mais cheio de encantos e tradições. Assim continue...
As nossas simpáticas guias lá nos conduziram por uma subida íngreme em direcção à Fóia.
A primeira paragem, obrigatória, revela-nos o Convento do Desterro do séc. XVII, lastimavelmente em ruínas, mas com muitas promessas de um dia voltar a bulício de outras épocas. Não visitámos a exuberante magnólia mas constatamos que o bosque de sobreiros centenários também merece ser preservado.
Deste local as vistas sobre o vale e a vila de Monchique são lindíssimas e lá ao longe avista-se o alto da Picota.
Continuamos sempre a subir, agora rodeados de eucaliptos, mas rapidamente a nossas expectativas de uma subida muito cansativa se desvanecem pois já estamos quase no alto da Fóia.
Aqui o monte pelado, coberto apenas de vegetação rasteira, abre-nos um campo visual interminável a norte.
Chegados ao alto preparamo-nos para retemperar forças empoleirados nas grandes moles rochosas, avistado a linha da costa ofuscados pelo brilho intenso das águas algarvias.
A ocidente em dias muito limpos, também se avista o oceano Atlântico para os lá de Aljezur. Hoje uma franja de nevoeiro muito denso cobre toda a linha da costa.
A merenda é composta por diversos pitéus - presunto de chaves, paio alentejano, queijos da Marofa e de Castelo Branco, Tortilla, torresmos, leitão, frango frito "ao alhinho", pão de Martim Longo, peixinhos da horta, broas de Mafra, doce de abóbora, etc.
Com esta paisagem aos nossos pés, e já aconchegados, ficaríamos por aqui até ao pôr-do-sol.
Mas, como só se faz caminho ao andar - como dizia Machado, circundamos (quase) o talefe, e quase 30 metros depois, em vereda relvada, e após ultrapassarmos uma porta basculante - novidade, internamo-nos no monte, onde aqui e ali uns quantos pirliteiros resistiram à força dos elementos.
Alguém mais conhecedor descobre um cogumelo - Lepiota, e após esta descoberta logo outro se encontra mais adiante, e mais além um temido amanita, e surpresa, um exemplar grandioso de Leccinum.
Pois é, estamos numa encosta virada a noroeste onde os ventos atlânticos chegam carregados de humidade e alimentariam em tempos idos, - que pena - bosques frondosos de carvalhos e castanheiros, que proporcionariam o sub-extracto adequado à existência destas espécies. arvores-do-sul
Mas ainda resta um souto onde nos deliciamos com a apanha de suculentas castanhas.
Com estas condições só nos resta apelarmos a todas as entidades e particulares para reflorestarem esta encosta com as espécies arbóreas de outrora. Pela nossa parte oferecemos os nossos braços para tão nobre obra.
Circundamos uma charca e iniciamos uma ligeira descida ladeados pelos omnipresentes eucaliptos por um caminho florestal bem delineado que contornando a encosta aproveita a curva de nível para poupar esforço a quem por aqui anda.
Esta encosta virada a norte está pejada de construções em ruínas, embora os socalcos prenhes de erva verde atestem que a pastorícia continua presente.
Deparamo-nos com uma cabrada bem composta de exemplares da cabra algarvia, ainda há pouco tempo esquecida, e agora fonte de rendimentos ímpares em todas as serranias destas paragens. Cabra_Algarvia
Esta caldeira trabalhada em socalcos, cheia de construções ganadeiras, parece suplicar um Centro de Interpretação da Pastorícia na Serra de Monchique.
Após passarmos os castelos quixotescos dos tempos modernos, habitados por donzelas faiscantes que nos enchem de esperança quanto ao futuro, descemos entre eucaliptos invadidos aqui e ali por plantas de frutos vermelhos, laranjas, amarelos e verdes que nos enchem de alegria.
Algumas construções em ruínas, totalmente invadidas pelas silvas, levam-nos a imaginar as vidas das gentes laboriosas de outrora que viviam em comunhão com a natureza. Alguém se interroga: - Será possível voltar atrás?
Pensamos que não. Mas podemos seguir em frente sustentadamente. E, lá no fundo, é um pouco isso que nos trás aqui e "Sempre por Maus Caminhos".
Monchique





Sempre a subir...




... Até à Fóia!




GR13- Via Algarviana (Sector 11)


Marmelete! Marmelete!... e cuidado com os peões!

Marmelete

domingo, 1 de Novembro de 2009

Sabrosa-Provesende-24 de Outubro de 2009

Sabrosa-Provesende-24 de Outubro de 2009
Diz a tradição oral que, da exclamação “ – ProveZaide, proveZaide!”, resultou o nome Provesende, substituindo o antigo Vale Verde. Segundo a lenda “Outrora houve um mouro de nome Zaide, o rei Zaide, irmão de Jahia rei de Toledo, ao qual pertencera o castelo de São Domingos, que governava uma área não demarcada. ( Provesende )
E lá fomos nós! Rei Zeide, nem vê-lo, a não ser a referência "Papas Zeide" uma tasca típica de Provesende.
A terra estava engalanada para a festa que se adivinhava. Bancas com produtos locais e artesanato, o ensaio dos bombos que já se fazia sentir, artistas de rua já treinavam os malabarismos. Adivinhava-se que depois do nosso trajecto a pé até ao Pinhão era inevitável voltar à festa! Agora era tempo de descer até ao Douro!
Percurso bem marcado que atravessa toda uma zona de vinhedos e olival até à foz do rio Pinhão. Aí apenas tempo para dar uma volta na zona ribeirinha, ir até à belíssima estação de combóios e beber um copo.
A descer todos os santos ajudam mas para os poucos heróis que fizeram o regresso a pé até ao diabo devem ter vendido a alma! Valentes!
Os outros regressaram no autocarro para nos encontrarmos todos na anunciada festa.
Ainda houve uma providencial boleia numa carrinha de caixa aberta que transportou (só 18!!) nos últimos metros até ao centro da aldeia. Grandes 80 anos os deste Senhor!
Chegámos no calor da festa!
Mas se nesta república não encontrámos rei que avance o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama! Ei-lo, pronto a dar um pé de dança, a petiscar um enchido e a misturar-se por entre brincadeiras e conversa de ocasião. Quem sabe, um bom prenúncio para agora encarar uma Assembleia sem maioria absoluta. Mas a festa é do povo e todos tivemos a oportunidade também de rir e dançar nesta animação de rua. Atrasou-se a saída até à última mas o argumento de visitar a Quinta do Portal também tem o seu peso.
Quinta do Portal ). Espaço sofisticado com destaque para a adega com o exterior revestido a cortiça da autoria do arquitecto Siza Vieira. Após explicações sobre o processo produtivo e armazenamento houve tempo para provar estes néctares antes de rumar ao hotel em Sabrosa para terminar o dia com um belo jantar. ( Sabrosa ).
Provesende












A caminho do Pinhão... a descer!







Foz do rio Pinhão


Pinhão




Transporte Especial!


Festa em Provesende






Jaime Gama presente!




Quinta do Portal












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Sabrosa-Quinta Nova-25 de Outubro de 2009

Sabrosa-Quinta Nova-25 de Outubro de 2009
A manhã chuvosa ia-nos acompanhar na estrada de Sabrosa à Quinta Nova. Estrada linda mas que podia ser só um bocadinho mais larga...
Enfim, lá chegámos e no tempo certo já que tinha parado de chover. Afinal o contrato com S.Pedro ainda estava em dia.
A primeira impressão à chegada ao local não se pode dissociar da fantástica localização desta quinta em pleno Douro vinhateiro. Localizada na margem direita do Douro, entre Sabrosa e o Pinhão, a Quinta Nova http://www.quintanova.com/  apresenta-se num espaço muito cuidado e acolhedor. Neste espaço privado iríamos percorrer o PR1, percurso circular, que se desenvolve percorrendo caminhos por entre vinhedos até ao nível do rio Douro, passando pela capela, mirador, pomar até, de novo, ao conjunto de casas principais da quinta. Tirando a confusão na distância do percurso, que no site refere 17 Km (será gralha?) o seu desenho é bastante interessante já que "obriga" a observar vários aspectos dentro deste espaço como é o caso do pomar, por exemplo, já raro nesta tipologia e nestas paragens.
Aproveitando o bom tempo almoçámos sob um telheiro ao ar livre na companhia desta enorme paisagem.
Terminámos com visita às instalações e caves onde se desenvolve a produção vinícola da casa. Era tempo de regressar. Desta vez a caminho do Pinhão, passando por Covas do Douro, onde, mais uma vez, a estrada se fez larga e o bus estreitou...
Quinta Nova







PR1


Capela


Sempre Por Maus Caminhos!


Refrescar ideias!

O almoço... ao longe!


Pomar




O último fecha a porta!


Agora mais perto!

Que estádio!



Na adega.


Casa-forte dos Vintage!

Caves


Prova.



O céu da despedida.

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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Trilho del Perro - Novos Caminhos


17 de Outubro de 2009-Trilho del Perro - Novos Caminhos
A ideia de pregar em todas as freguesias e para todos os públicos, até parece louvável.
Nesta amalgama de "caminheiros", há os que preferem sempre a subir, os que gostariam que fosse sempre a descer, os que nem por isso e os tanto faz.
Para contentar gregos e troianos e ainda os familiares de uns e outros, além dos percursos de montanha, inventámos os ribeirinhos, percorremos os sinalizados, os não sinalizados, os guiados, os selvagens, etc.
Desta vez queríamos - ainda queremos -, trazer para as luzes da ribalta, aqueles que se escudam nas 7 horas da manhã, nos fins de semana intermináveis, ou nos compromissos inadiáveis.
Por isso viemos propor "Novos Caminhos", sem compromissos e pensámos nós, mais viáveis - das 9h00 às 13h00, sábado ou Domingo, e abertos a todos.
Mas as nossas habilidades de encantadores de serpentes apenas conseguiram levantar um punhado de boa gente.
A meia dúzia de amigos que se juntou para o passeio pedestre deslumbrou-se com a paisagem e aproveitou lindamente a manhã de sábado.
O percurso iniciou-se junto à Nato, ali para os lados da Fonte da Telha, e decorreu pela arriba fóssil da Costa da Caparica, pejada de arbustos e pinheiros retorcidos pela força dos elementos.
Descemos por entre pinheiros bravos, em terreno muito arenoso e difícil. Ao chegar à arriba começamos a deslocar-nos paralelamente ao mar desfrutando de umas vistas deslumbrantes que se prolongam desde o Cabo Espichel à Serra de Sintra.
O trilho desenvolve-se em ziguezague junto à falésia, e ora se afasta ora se aproxima da linha da praia, contornando os lindíssimos "canyons" formados pelas chuvas e por muitos anos de erosão. De início mostra-se bastante bem acondicionado e visível, mas passada a primeira meia hora começa a complicar-se. Nota-se que por aqui já não chegam os veraneantes e os ramos dos arbustos invadem e escondem a vereda.
Os frutos intensamente brancos das camarinhas saciam-nos a sede provocada pelo intenso calor que se começa a sentir, embora estejamos em meados de Outubro.
Já próximo da Lagoa de Albufeira a vegetação torna-se mais rasteira e volta a areia muito solta, que aliada ao cansaço torna o passeio muito duro.
Por fim avistamos a lagoa marcada pela maré baixa, pontilhada de milhares de gaivotas nos ilhotes que se formam.
Paramos para merendar, e após o merecido descanso iniciamos o regresso pela praia.
A maré, enganadoramente baixa, dificulta-nos os passos devido às imensas e fofas dunas formadas pelas marés vivas.
Vistas cá debaixo e sob o sol de Outono as arribas projectam sombras que as embelezam ainda mais.
Subimos a arriba por um trilho muito inclinado e difícil e lá de cima paramos uma última vez espraiando o nosso olhar por aquelas paisagens magníficas. Fica a promessa de voltarmos na Primavera e trazermos mais amigos.















quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Novo projecto - Caminhos

Já somos quase 700, apesar dos trânsfugas, e ainda não inventámos a roda, nem conseguimos resolver a quadratura do círculo (no meu carro está solucionada, e é mesmo uma evidência, depois de me cruzar com as centenas de "buracos" que povoam os caminhos de Lisboa!).
Assim, vamos lançar um novo desafio, sem compromissos, quase sem regras. Todos os fins-de-semana, Sábado ou Domingo, impreterivelmente pela 9 Horas, faça sol ou faça chuva, marcamos encontro num determinado local para caminhar até ás 13h00. Depois, cada um é livre de fazer o que lhe apetecer - voltar para casa, almoçar no "Gambrinus" ou na Tasca Rasca, ou, ainda, levar um suculento lanche a contar com os guias e abancar, no prado, na areia, na rocha, na arriba, no jardim, no alpendre, etc.
Inicialmente esta aventura só estará disponível para os nossos associados e contará, apenas, com a disponibilidade dos elementos da organização.
Aceitam-se todo o tipo de propostas, mesmo as menos honestas - resquícios das eleições! -. Interessa é mostrar "obra".
O projecto vai ter 4 vertentes:
- Caminhos da Serra;
- Caminhos da Costa;
- Caminhos na Cidade;
- Outros caminhos;
Vai desenvolver-se nas Serras aqui ao lado, a saber: - Serra de Sintra, Serra da Arrábida, Serra de Montejunto; - nas costas aqui ao lado desde: a Caparica a Setúbal, de Lisboa a Cascais, de Cascais ao Vimeiro; - na cidade de Lisboa, por ruas, jardins, colinas, miradouros, museus, exposições, etc; - outros caminhos, incluindo planícies, vales e lezírias aqui à volta.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Com o Corno do Bico ás voltas ...

Com o Corno do Bico ás voltas ...
Por caminhos estreitos chegámos a Chavião. Tinha chovido toda a noite.
Apeados do veículo junto a uma providencial "venta" (comércio multifunções, na actualidade), logo vislumbramos a pequena Capela na iminência daquela colina, sob um céu cor de chumbo, aterrador. Em amena cavaqueira com um cidadão local tentamos delinear o nosso passeio, e aceitar a recusa pronta e veemente do nosso interlocutor, não sem antes, nos atirar de soslaio: - Mas onde é que vocês vão? Duas horas (apenas 8 Km, pensámos nós!) de caminho, nem quatro. - Vão mas é comer qualquer coisinha e depois pela tarde, voltem a pensá-lo.
Perante a nossa irreverência lá nos desejou: - Então vão com Deus. Ao que alguém menos avisado, ripostou : - Não é preciso, o nosso guia conhece bem o caminho. E zás, lá partimos com menos uns doze nas hostes convencidos estes por tão sapiente discurso.
Cruzámos a Capela e subindo, observámos os patinhos adorando a senhora - tanto estes como aquela, de cerâmica feitos - no jardim relavado da última casa.
Bosques lindos, sem dúvida. Mas uma pinga aqui outra acolá pareciam querer dizer-nos algo, que "sabiamente" ignorámos.
A fila foi esticando, pois o carreiro era estreito, e alguns, duvidando dos passos que os guiavam ainda voltaram para trás.
O tapete magnífico que nos amorteciam as batidas já algo aceleradas do nosso pobre coração, era composto por milhentas folhas outonais, de castanheiros, carvalhos e azevinhos monumentais. O cheiro a humidade inebriava os sentidos e um ou outro cogumelo já despontava na folhagem. Cores magníficas, embora ténues, ofuscadas pelo céu plúmbeo e pelo porte das faias. Deslumbrante num dia assim...
Alguns regatos rompiam pelas nervuras do terreno, e os pingos aceleravam.
Passamos lugares curiosos, só conhecidos do nosso mapa - Braganda, Travanca, Borregão. Começamos a subir por um caminho amplo deixando a floresta cerrada mas ladeados por imponente bosque de faias.
Já algo dispersos começa a trovejar e chuva, ainda miudinha, entorpece o nosso passo.
Olhamos de novo a carta militar e confirmamos que estamos no caminho certo.
Num cruzamento tabelado, indicando Chavião, hesitamos mas a casmurrice, a que os nossos consultores chamam desejo de vencer ou atingir os objectivos, faz-nos continuar.
Agora já temos os trovões em cima, e os relâmpagos a escassos 2000 metros. A chuva é torrencial. O vento sopra vindo de todas as direcções, e aqui vamos nós intrépidos e inconscientes, digo eu, caminheiros em direcção ao cume. Só que num momento de lucidez, pensando nas palavras do aldeão e recordando o nosso destino cimeiro - Riomau, este velente trota mundos dá meia volta e arrasta todos para trás.
Naquele momento não lhes contei mas cheirou-me a Corno (o do bico) esturrado, e senti o belzebu muito perto de mim.
Só me lembrava das palavras proféticas do nosso contador de anedotas da noite anterior: - O quê... com um tempo destes!
Virámos na placa que indicava Chavião e oh! Pernas para que vos quero!
Encharcados até ao tutano ainda vacilamos duas ou três vezes e nem o GPS nos valeu. Não fosse ele, o guia, conhecer bem o caminho, ainda hoje andávamos perdidos no bosque. Sim, porque os populares perante tão grande temporal já se estavam a organizar para nos ir repescar (!).
Claro que isto não passa de uma alegre brincadeira, porque, rapidamente, aquele guia que o caminho também sabia nos conduziu a bom porto.
Não nos esperasse já o banquete e teriam sido horas de galhofa naquele cafezinho onde não havia memória de tanta gente mudar de roupa em tão pouco tempo e parcas condições. Mas a promessa aqui fica, havemos de voltar num dia, apesar de tanta desdita, e subir ao Riomau, em tão boas companhias, mas não sem antes rezar três benditas Ave-Marias. Ah, e do guia não reza a história. E depois das dificuldades que passei apetece-me declamar poesia:
- OH, Melro que cantas nos pinhais; Oh Melro que cantas nos pinhais...

Continua... Deixo a entoação para os jograis da nossa comunidade.





























CEIA - Centro de Educação E Interpretação Ambiental

CEIA - Centro de Educação E Interpretação Ambiental
Ocupámos o resto da tarde a visitar o Museu Regional de Paredes de Coura, que se recomenda vivamente. Espaço moderno, lindo, construído numa quinta minhota, abastada, que soube conservar todo o encanto dos pátios Minhotos.
Aqui se realizam desfolhadas, cantares, e outros eventos sobre os costumes e modas de antigamente. http://www.jf-vascoes.pt/vascoes.html
Depois lá seguimos sob chuva torrencial até Chã de Lamas, na freguesia de Vascões (terão andando por aqui os euskaldun' s).
Magnífico edifício que alberga o centro de interpretação da Paisagem Protegida do Corno do Bico, implantado na antiga Colónia Agrícola de Chã de Lamas, onde um grupo de agricultores cultivava batata de semente desde os anos 60, e agora em crise quase total não fossem os rendimentos provenientes do pinhal.
Embora chegados a hora tardia, deu para perceber os imensos campos constituídos por lameiros (Lamas) que abastecem de forragem as explorações ganadeiras de Vascões.
Ali junto ao centro, iniciam-se os densos bosques, que apresentam diversas espécies arbóreas, realçando-se sobretudo as fais, além das espécies locais - carvalhos e castanheiros.
Acompanhados pela responsável do centro percorremos todo aquele conjunto composto por anfiteatro, laboratórios, biblioteca, etc. No edifício anexo que incorpora a antiga casa do Sr. Professor, estão os alojamentos, a cantina e diversas salas, que aguardam todos aqueles que, velhos e novos, desejam passar uns bons momentos na natureza. Foi aqui que, acompanhados pela simpatia do Sr. Professor, nos deleitámos com as sopas, os rojões e o arroz doce, acompanhados pelos néctares de colheita própria. Muito obrigado Sr. Professor.






Aquilino ou nem por issso ...

Aquilino ou nem por issso ...
15 Km de rota esperavam-nos ás portas da Igreja, onde uma missa intemporal, aconchegava as almas de uns quantos fregueses.
Ah! a Casa de Romarigães, tanta escrita sem substancia que ajuda a sonhar os tempos de Aquilino. Somos portugueses, somos muito teimosos, somos muito invejosos de que outros façam aquilo que nós gostaríamos de ter feito!
Pois é a casa está nas lonas. Sim, já sei que faltam uns dinheiros, umas vontades.
Também as quintas e paços que se cruzam no nosso caminho apresentam as terras ao abandonado, mas as suas paredes de perda apresentam-se exuberantes e orgulhosas do seu passado.
Subimos por caminho empedrado, atravessamos a nacional e passadas umas quantas casas, um potente camião TIR indica-nos, pela leitura das suas faixas amarelas e vermelhas de veículo longo, o trilho a seguir.
Os pinheiros cobrem o espaço envolvente e rapidamente desembocamos nos Moinhos, que, apesar da escassez pluviométrica, continuam a ser alimentados por fio de água. Aqui acabamos por confundir-nos pois era suposto visitar estes espaços no final.
Por um percurso de calçada ladeada de muros de pedra que nos separam dos terrenos de cultivo rodeados de latadas prenhes de frutos avistamos um cruzeiro que nos indica o bom caminho. Aqui o percurso é coincidente com os caminhos de Santiago e a base do dito cruzeiro está repleta de pedrinhas, representando cada uma, quem sabe, um pedido, um desejo, enfim. Nós, caminheiros de outras paragens, sabemos que nas montanhas tais montículos de pedras servem para nos ajudar a não perder o bom caminho.
Subimos e voltamos a embrenhar-nos no pinhal. Aqui e ali pequenos conjuntos de construções. Eis um que nos impressiona, tal a quantidade de gente placidamente buliciosa que desliza entre os pinheiros, as tendas e os edifícios. Ao longe ouve-se um som rouco, profundamente rouco, que poucos metros depois nos descobre um imenso trombone. O pequeno buda aguça-nos a curiosidade.
- Charlando com três personagens que cruzam o portão, ficámos a saber que se trata de um encontro sobre praticas de meditação e exercício espiritual, que agrupa gentes vidas dos quatro cantos da península. - Sim senhor rico sítio, este.
Vamos baixando até ao pequeno vale e num cruzamento de caminhos hesitamos. Já algo cansados, dez quilómetros volvidos, optamos por continuar a subir e acertamos: - Aqui está o gasoduto.
Sempre pelo meio dos pinhais voltamos a perder as marcas amarelas e vermelhas, e, se não fosse a proximidade da estrada, por lá estaríamos vagueando.
O monte mostra-se despido de árvores, talvez tenham sido engolidas pelo fogo, pensamos. Já no cume e com o nosso objectivo à vista, mas lá muito longe, parece-nos ter mais uma hora de caminho pela frente. Efectivamente, voltamos a perder-nos, e , não fosse o GPS, ficaríamos perdidos entre giestas, fetos, urzes e pinheiros.
Milagre, reencontramos os bons caminhos - Isto para quem faz apanágio de andar "SEMPRE POR MAUS CAMINHOS" apresenta-se um pouco caricato, mas enfim, estão perdoados - e seguimos extenuados até aos Moinhos, e dali à procura da merenda, pois na igreja de uma aldeia próxima já batem as duas da tarde.
Mais tarde ficaremos a saber que ali bem pertinho, no Paço do Outeiro, em Agualonga, se reuniam as famílias em reconfortantes merendas após a recolecção do linho.
As nossas merendas resultam sempre numa troca de iguarias - presunto de Lamego, salpicão de Vinhais, leitão da Bairrada, empadas de Portalegre, pão de Martinlongo, vinhos alentejanos e durienses nos maduros, espumosos da Anadia e verdes de Ponte de Lima e ainda as filhoses da Beira Baixa e as broas de Mafra. Pois desta vez, rodeados de miliários, no local das Antas, em recinto bem romeiro desenhado à volta da Capela, suportada a fé em dois imponentes marcos romanos, estaríamos próximos do paraíso, não fosse o incessante matraquear da propaganda eleitoral prenunciado o inevitável mini comício.

























quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Gondarém

Gondarém
Estes incansáveis trota mundos também merecem descanso requintado. Ficámos alojados na Quinta do Outeiral, hoje conhecida como estalagem da Boega. O local beneficia de umas vistas deslumbrantes sobre o rio Minho e os nossos olhos deleitam-se até ao Monte de Santa Tecla. As paredes do paço, outrora convento e abrigo de peregrinos em busca do santuário do apóstolo Santiago, emanam mistérios. Os prazeres do repasto servido naquela sala de azulejos setecentistas ajudam-nos definitivamente a esquecer todas as mágoas e alentam-nos a continuar...








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